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Comida Kosher – O que é, Benefícios, Dieta e Receitas


É muito interessante como a cultura de cada povo influi diretamente em sua alimentação. Os judeus, por exemplo, mais que uma dieta, seguem um estilo de vida através da comida Kosher.

Com um cardápio rico, porém, seguindo regras tradicionais, a dieta Kosher vem ganhando a cada dia mais adeptos. Cheia de benefícios e deliciosa, vale a pena passar a fazer parte de nossas receitas do dia a dia. Nos Estados Unidos, apenas 20% dos consumidores da comida Kosher são judeus, e o consumo por lá cresce a cada dia.

O que é a comida Kosher?

Poderemos encontrá-la também como Kasher. É a forma como a cultura judaica determina que seja sua alimentação. As origens dessas normas foram extraídas do Torá, que é seu livro sagrado. O significado é “adequado”. Conforme a tradução, também poderemos encontrar como sinônimo a palavra “permitido”

Como funciona a dieta Kosher?

Há algumas regras a serem seguidas. Os judeus são muito cuidadosos e preocupados com o sofrimento dos animais a serem abatidos para seu consumo. Além do mais, a higiene está acima de tudo. As carnes permitidas são de vaca, carneiro e cabras. As aves domésticas são permitidas, como frangos, perus, faisão, patos e gansos. Os porcos e coelhos estão fora, por não serem ruminantes e não terem o casco fendido.

Após o abate dos animais, eles deverão ser lavados para que não haja resíduos de sangue. Também os subprodutos do sangue, como morcela, molho pardo e afins, não deverão ser consumidos.

Os peixes com escamas e barbatanas poderão fazer parte da dieta Kosher, porém, crustáceos e moluscos deverão ser excluídos.

As verduras deverão ser lavadas minuciosamente, pois nenhum inseto ou larva pode ser ingerido como comida Kosher, pois são considerados impuros.

Regra principal

Uma das regras principais e curiosas da comida Kosher está na proibição de se misturar, numa mesma refeição, ou durante o preparo, carne ou frango com leite e derivados.

Devemos entender que não misturar significa, inclusive, separar as panelas, louças, talheres, e até mesmo a pia. Utensílios utilizados para carnes não deverão ser usados com o leite e derivados, e vice-versa.

Isso quer dizer que nossa deliciosa pizza de frango com catupiry está fora da dieta Kosher, como um churrasco acompanhado de pudim de leite como sobremesa, entre tantas outras receitas do nosso dia a dia, como um bife na manteiga.

Alimentos neutros

Na comida Kosher, há alimentos que são considerados neutros (chamados pareve ou parve). São os alimentos que não contêm carne, nem leite e derivados.

Podemos entender como “pareve” os ovos, peixes, verduras, os cereais, os grãos, as massas, chás, café, etc.

Certificação

Não basta que os rótulos dos alimentos indiquem que se trata de uma comida Kosher. Todos esses alimentos precisam passar por uma verificação de um Rabino ortodoxo, só então, serão liberados para venda.

Benefícios da comida Kosher

Sob o ponto de vista nutricional, não há diferenças, mas os reais benefícios estão diretamente ligados à saúde, confiança e segurança, devido aos rigorosos padrões impostos para aprovação dos alimentos para venda. Vejamos:

1. Comida mais saudável

Quando uma empresa busca um certificado Kosher em seu rótulo, ela precisa concordar com visitas surpresa de uma autoridade Kosher. Além do mais, precisa aderir às regras, sem exceção, inclusive aceitando o fato de que o estabelecimento será vistoriado constantemente, o que obriga a empresa a manter suas instalações extremamente limpas, sob o risco de perder a certificação.

2. Qualidade superior dos alimentos

Os animais, antes do abate, são selecionados por uma autoridade no assunto, que descarta animais com qualquer sinal de doença, fraturas ou ferimentos. Toda carne Kosher é completamente salgada antes de ser colocada à venda. Isso também reduz a proliferação de micro-organismos. Jamais haverá contaminação por coliformes fecais em alimentos Kosher.

3. Confiabilidade

Um dos principais motivos para o disparo na venda de comida Kosher está diretamente ligado à confiabilidade. De acordo com um relatório da Mintel (empresa americana de pesquisa de mercado), 62% dos consumidores acreditam que sua qualidade é melhor, enquanto 51% confiam em sua salubridade. Isso tudo se deve aos rigorosos critérios Kosher para aprovação dos alimentos.

Ainda segundo o relatório da Mintel, acredita-se que os alimentos Kosher são mais naturais, orgânicos e com menos conservantes.

Mesmo os veganos e vegetarianos são adeptos desse tipo de alimentação, pois sabem que não haverá vestígio de carnes misturadas e escondidas no preparo, porém ausentes no rótulo. Eles saberão que um alimento Kosher rotulado como “pareve” estará 100% isento de carne e leite.

Os intolerantes à lactose também compram comida Kosher sem medo, tendo absoluta certeza que não há absolutamente nada de leite e derivados em seu preparo.

  • Os peixes permitidos pela dieta Kosher são menos contaminados por intoxicação através de mercúrio, devido à barreira que as escamas e barbatanas criam;

  • Outro exemplo: frutas, legumes, verduras, grãos e etc deverão ser rigorosamente inspecionados e lavados, porque as leis judaicas proíbem o consumo de insetos.

Receitas da culinária Kosher

Muito falamos até aqui, mas, será que as receitas Kosher são gostosas? Obviamente, todos os produtos, quando preparados por judeus, terão certificação, mas vale a pena provarmos as iguarias, inclusive com nossos produtos tradicionais. Vamos dar uma olhada:

1. Brownie de Mocha

Essa receita é utilizada na Páscoa judaica e não leva farinha.

Ingredientes:

  • 1 xícara de açúcar cristal;

  • 6 ovos – separar claras e gemas;

  • 3 colheres de sopa de manteiga;

  • 170 gramas de chocolate meio amargo;

  • 3 colheres de sopa de café solúvel;

  • 1 colher de sopa de baunilha;

  • 1 pitada de sal.

Preparo:

Primeiramente, divida o açúcar pela metade e bata uma parte dele com as gemas, e a outra com as claras.

Você deve derreter o chocolate com a manteiga. A seguir, misture tudo e junte os demais ingredientes.

Asse em forno médio, pré aquecido, por aproximadamente 45 minutos.

Ingredientes da calda:

  • 100 gramas de chocolate meio amargo;

  • 3 colheres de sopa de manteiga;

  • ½ xícara de creme de leite fresco;

  • 1/3 de xícara de açúcar cristal;

  • 1 colher de sopa de café solúvel;

  • 2 colheres das de chá de extrato de baunilha;

  • 1 pitada de sal.

Preparo da calda:

Pique o chocolate e derreta com a manteiga. A seguir, vá misturando os demais ingredientes. Sirva quente sobre o bolo.

2. Kiguel

Ingredientes:

  • Meio quilo de talharim cozido al dente, em água e sal;

  • 3 ovos inteiros;

  • 2 colheres de sopa de açúcar;

  • 2 maçãs ácidas raladas;

  • 1 colher de sobremesa de canela em pó;

  • 3 colheres de sopa de óleo;

  • Caldo de 2 limões;

  • 100 gramas de uvas passas pretas, sem sementes;

  • 3 colheres de sopa de geleia de cor escura (ameixa, morango, uva, etc).

Preparo:

Unte uma forma refratária retangular com óleo e reserve.

Escorra o macarrão, passe por água fria.

A seguir, bata os ovos grosseiramente e misture ao macarrão, e vá adicionando os demais ingredientes, misturando tudo muito bem.

Levar ao forno pré aquecido a 200º por aproximadamente 15 minutos, a seguir, diminua a chama e deixe assar mais um pouco até que a superfície esteja bem douradinha.

Sirva depois de frio, cortado em cubos.

Temos comida Kosher no Brasil?

Embora não faça parte de nossa cultura, já poderemos encontrá-la nos grandes centros, com relativa facilidade. Em São Paulo, temos uma colônia judaica bastante considerável, portanto, não haverá problemas quanto à procura. Para as outras regiões, basta procurar na internet por “comida Kosher no Brasil”. Haverá uma disponibilidade grande de produtos online e lojas físicas. Temos inclusive produtos certificados.

Considerações finais

A comida Kosher ainda é uma novidade no Brasil, e seguramente, pouca gente fora da colônia judaica a consome, porém, nada impede que passemos a incorporar esses alimentos em nossa vida.

Embora nossas regras industriais quanto à alimentação sejam diferentes, desde que haja a certificação Kosher, existe a indicação de que houve um controle bem maior em relação ao alimento.

Caso haja facilidade de encontrá-los e os preços não sejam exorbitantes, passar a consumi-los é uma garantia de um produto de melhor qualidade.